EUA: assim se constrói o apoio ao golpe no Brasil POR BRIAN MIER – ON 07/03/2018

Microsoft. Boeing. Monsanto. Shell. Diretamente beneficiadas pelas políticas pós-2016, mega-empresas financiam agência empenhada em sustentar que mudança de regime “foi boa para o país”

Por Brian Mier, publicado originalmente em BrasilWire | Tradução: Rejane Carolina Hoeveler

Quando Luiz Inácio Lula da Silva assumiu a Presidência em 2003, um de seus primeiros movimentos foi priorizar o uso de software livre para os sistemas de informática do governo federal, tanto para reduzir custos, como para aumentar a competição, criar empregos e desenvolver o conhecimento e a inteligência do país nessa área. Embora nunca tenha sido adotada por todos os ministérios, esta política, em 2010, já havia poupado dos contribuintes mais de 500 milhões de reais. Seis semanas após tomar o poder, em outubro de 2016, enquanto cortava o financiamento para mulheres vítimas de violência doméstica, de R$42 milhões para R$ 16 milhões, sob o pretexto de que não poderia arcar com este gasto, o presidente Michel Temer anunciou que o governo gastaria R$140 milhões para realizar a migração dos sistemas de computação para os produtos da Microsoft.

A Microsoft não é a única corporação que se beneficiou do golpe de 2016 contra Dilma Rousseff. A Boeing está prestes a tomar o controle acionário da Embraer, conglomerado aeroespacial de capital misto, terceiro maior fabricante de aviões do mundo e uma questão de orgulho nacional para os brasileiros. Após um encontro com diretores da Monsanto em fevereiro de 2018, a administração Temer anunciou planos de legalizar o uso do pesticida Glifosato, da Monsanto, que fora recentemente proibido na Europa. Logo após leiloar oito campos de petróleo offshore para corporações petroleiras internacionais tais como Chevron e Shell em outubro de 2017, Michel Temer providenciou um decreto presidencial com cerca de R$1 trilhão em abatimento de impostos para companhias petrolíferas estrangeiras atuantes no Brasil. Microsoft, Monsanto, Boeing, Chevron e Shell, todas se beneficiaram da mudança de regime no Brasil. O que mais elas têm em comum? São todas membros corporativos da Americas Society/Council of the Americas, think tank que apoia políticas de austeridade e governos de direita na América Latina desde sua fundação por David Rockefeller nos anos 1960.

A revista da AS-COA, Americas Quarterly, é dirigida a um público de elite, distribuída em salas VIPs de aeroportos pelo continente, e dada como bônus aos membros da entidade, cuja taxa para se tornar membro começa em 10 mil dólares por ano. Sua principal função, entretanto, parece ser de relações públicas, alimentando reportagens benéficas para as corporações em mídias por todo o hemisfério, com comentaristas da AS-COA aparecendo frequentemente na CNN, NBC, Bloomberg, NPR, em agências de notícias como Reuters e AP, e em jornais por toda a região, do Clarín argentino ao Los Angeles Times. Links para esses artigos, aparições na TV e no rádio estão detalhados no site da AS/COA e facilmente acessíveis para qualquer um que queira verificar seu viés ou pesquisar seus padrões narrativos. Eu escolhi observar os padrões narrativos nos feeds de mídia na AS/COA por dois períodos, do ano passado (de 24 de fevereiro de 2017 a 24 de fevereiro de 2018) e durante os três meses anteriores à saída de Dilma Rousseff da presidência, em 13 de maio de 2016.

As prioridades recentes do AS/COA

Entre 24 de fevereiro de 2017 e 24 de fevereiro de 2018, o staff da AS/COA apareceu ou foi citado em reportagens da mídia de língua inglesa 102 vezes (excluindo aquelas sobre arte, que estou deixando de fora da análise). Isso inclui 39 sobre Venezuela, 13 sobre o NAFTA e 7 sobre Brasil.

TEXTO-MEIO
As reportagens sobre a Venezuela, o país com as maiores reservas de petróleo do mundo, podem ser perfeitamente classificadas como propaganda pró mudança de regime. Não existe nenhum esforço em prover uma cobertura equilibrada em qualquer dos artigos aos quais o staff da AS/COA contribui, com alguma entrevista, por exemplo, com qualquer pessoa da classe trabalhadora venezuelana, cuja maioria ainda apoia o regime de Maduro. A linguagem utilizada é similar àquela usada para descrever países como a Líbia antes das operações militares estadunidenses. A Venezuela é um país em estado de catástrofe, a democracia colapsou, o país mergulhou em crise permanente. Conforme Eric Farnsworth, da AS/COA, disse à CNN, “existem pessoas na Venezuela que estão literalmente passando fome. Isso e algo apocaliptico. Eu chamaria a Venezuela de Estado falido”. Embora a fome seja um terrível fenômeno, está presente em todas as nações nas Américas. De acordo com o World Hunger Education Service, em 2015, 6,3 milhões de famílias norte-americanas sofreram de níveis extremamente baixos de segurança alimentar. Mas é altamente improvável que qualquer um na AS/COA venha a citar essa estatística para chamar os EUA de Estado falido.

As 13 reportagens sobre o NAFTA são exemplares porque ilustram um objetivo de longo prazo da AS/COA e de seu fundador e ex-diretor David Rockefeller em fomentar acordos neoliberais de “livre” comércio. Rockefeller foi influente em criar tanto o NAFTA quanto a falida ALCA, e a AS/COA sempre esteve entre os maiores entusiastas desses controversos acordos. Embora os benefícios do NAFTA para a classe trabalhadora não tenham aparecido, os artigos da AS/COA e seus financiadores corporativos apoiam a continuidade do NAFTA e estão preocupados que Donald Trump possa estar arruinando o acordo.

Sete reportagens sobre o Brasil que apareceram na mídia anglo-saxã no último ano incluem conteúdo da AS/COA. Duas dessas aparições midiáticas representam uma estratégia continua de tratar a equipe de juízes da Operação Lava Jato — controversa e partidarizada — como super-heróis. Começou com uma matéria de capa da revista Americas Quarterly, apresentando o juiz Sergio Moro como um dos caça fantasmas.

Moro tem sido largamente criticado tanto nacionalquanto internacionalmente por violar a lei brasileira, quando vazou ilegalmente conversas telefônicas entre Lula e Dilma Rousseff para a Rede Globo. Ele tem sido criticado por não investigar ninguém do PSDB, cujos líderes José Serra e Aécio Neves estão envolvidos em uma série de escândalos de propinas de milhões de dólares e de financiamento ilegal de campanha, enquanto foca a maior parte de seus esforços naquilo que parece ser uma tentativa de impedir que o ex-presidente Lula seja candidato nas eleições de 2018, baseado em acusações sem provas fisicas de que ele seria proprietário de um apartamento à beira-mar, totalmente baseada em delações premiadas de um empresário corrupto que modificou sua história inicial para implicar Lula em troca de redução de sentença.

Moro também foi acusado de conflito de interesse, pois sua esposa trabalhou como assessora legal do vice-governador tucano do Paraná, Flavio Arns. Em dezembro de 2017, um advogado da Odebrecht, Tacla Duran, acusou os juizes da Lava-jato de dirigir uma verdadeira indústria de redução de sentença através do escritório de advocacia da esposa de Moro. Moro tem sido acusado de pressionar empresários a modificar seus acordos para implicar Lula e de adulterar os registros financeiros da Odebrecht. Foi acusado de comportamento sádico após ordenar a prisão do ex-ministro das Finanças Guido Mantega, durante um sessão de quimioterapia de sua esposa. Foi acusado, em um artigo compartilhado no site do Exercito brasileiro, de destruir cinco discos rídigos repletos de evidências físicas de propinas pagas pela Odebrecht, em um movimento que foi largamente percebido como feito para proteger os políticos do PSDB. Foi recentemente acusado de violações éticas quando descobiu-se que ele morava em um apartamento de luxo, de 256 m², pertencente a ele próprio em Curitiba enquanto recebia uma bolsa aluguel. Tem sido acusado de assediar seus críticos, como no caso em que ordenou à polícia fazer uma incursão na casa do jurista Rafael Valim, que organizou um seminário com o advogado Geoffrey Robertson, da Comissão de Direitos Humanos da ONU, criticando a Lava-Jato por uso de Lawfare.[i]E, mais importante, tem sido acusado de sabotar a economia ao paralisar as maiores construtoras em 2015, ao invés de tratá-las como grandes demais para falir, em um movimento que causou 500 mil demissões imediatas no setor de construção e, de acordo com um estudo citado pela BBC, uma queda de 2,5% do PIB. Nenhum desses eventos resultou em questionamento a Sérgio Moro dentro da AS/COA, entretanto. Em um artigo recente na Foreign Policy, seu vice-presidente Brian Winter celebrou Moro como o “Teddy Roosevelt do Brasil”.

O candidato derrotado nas eleições de 2014, Aécio Neves, do PSDB, foi acusado cinco vezes de receber propinas variando entre R$3 milhões e R$50 milhões. Em suma, todas essas acusações são mais sérias do que do tríplex do Guarujá, quer resultaram em uma sentença de 9 anos e meio de prisão. Em um de seus últimos movimentos antes de sair do cargo, o ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, solicitou à Suprema Corte o cancelamento de todas as acusações contra Neves. A AS/COA ignorou isso em uma homenagem a Janot, comparando-o a um soldado em luta para construir o Estado de Direito.

Tanto Janot como Moro escreveram para a Americas Quarterly e a AS/COA regularmente os convida para palestras em Nova York. Ambos foram homenageados em um evento da AS/COA em Nova York em 2 de março.

A AS/COA durante o golpe

No livro Merchants of Doubt, Naomi Oreskes e Erick M. Conway mostram como, por pelo menos 50 anos, think tanks e fundações patrocinados por corporações trabalharam para confundir deliberadamente o público na questão da mudança climática, visando enfraquecer o apoio ao combate à poluição do ar. Uma estratégia comum usada por essas instituições e seus consortes é desacreditar a ciência, espalhar a confusão e semear a dúvida. Quando olhamos para a influência da AS/COA na mídia durante o período de três meses anteriores à saída forçada de Dilma Roussef da presidência, fica claro que esta foi a tática usada para levar o público norte-americano a duvidar se o que estava ocorrendo era mesmo um golpe.

Mais do que isso, essa campanha, levada a cabo pelos feeds da AS/COA para a mídia, na Americas Quarterly e por seus funcionários no twitter, obteve sucesso em moldar a narrativa dominante da mídia de língua inglesa sobre o golpe, reproduzida mesmo por publicações ostensivamente liberais como o The Guardian, o qual só menciona a palavra golpe entre aspas. De acordo com a narrativa da AS/COA sobre o impeachment, Dilma Rousseff não foi retirada do poder por causa das infrações fiscais das quais: 1) ela foi inocentada; 2) é uma prática comum nos ramos municipal, estatal e federal de governo no Brasil; e 3) foram legalizadas uma semana depois que ela saiu do posto. De acordo com o vice-presidente da AS/COA e editor da Americas Quarterly Brian Winter, que não é um economista, ela foi tirada do cargo por causa de seu manejo da economia. Soa confuso ouvir alguém simultaneamente argumentar que não foi um golpe, enquanto afirma que a razão oficial para o impeachment é inválida? Isto é o objetivo. Durante o período de 3 meses antes de 13 de maio de 2016, quando Rousseff foi retirada do posto, a AS/COA participou de 29 matérias na mídia de língua inglesa. 14 delas foram sobre Brasil. As três mensagens centrais nesses artigos foram: 1) Não foi um golpe; 2) as instituições democráticas brasileiras estão funcionando; e 3) O impeachment foi uma coisa positiva para o Brasil.

Em 3 de maio de 2016, Brian Winter enfatizou todos esses três pontos em um debate na Rádio Publica Nacional dos Estados Unidos (NPR) com três outros comentaristas neoliberais. A votação do impeachment ainda não tinha acontecido. O arquiteto do impeachment, Eduardo Cunha, ainda seria preso por receber 1,5 milhões de dólares em propinas e lavagem de dinheiro. A informação de que um proeminente corretor de ações subornoudeputados federais para votar a favor do impeachment ainda não tinha sido vazada para a mídia. Entretanto, um assertivo e otimista Brian Winter já estava explicando que não era um golpe. “É um golpe?”, ele disse, “Não, eu não penso que seja um golpe. É um caso frágil pelo qual fazer um impeachment, especialmente quando você tem toda essa corrupção acontecendo ao fundo? Isso é discutível.”

No momento em que o Congresso brasileiro, em sua maioria enfrentando acusações de corrupção, preparava-se para derrubar a primeira mulher presidente por uma tecnicalidade que ela não cometeu, Winter disse que “é na verdade um progresso porque é o produto de um Judiciário independente e outras instituições como a mídia, como até mesmo o maligno Congresso, trabalhando mais ou menos como eles devem”.

Bem como em outras aparições midiáticas durante o decurso do golpe, Winter expressou confiança no “frágil” processo de impeachment, dizendo que “não está claro exatamente como isso vai terminar no Brasil. O sucesso não está garantido. Mas conforme encontra-se agora, parece uma coisa positiva”. Duas semanas antes, ele falou ainda mais positivamente sobre o impeachment para o Christian Science Monitor, dizendo que o Brasil estava “à beira de uma mudança drástica na política”.

Parte do trabalho de confundir o público implicou sufocar o receio de que o Brasil estivesse à beira de um retorno a uma ditadura. Enquanto Michel Temer entregava o aparato de segurança do estado do Rio de Janeiro ao Exército, causando abusos a direitos humanos, primordialmente contra a população pobre e negra, e enquanto o general Walter Braga Netto dizia que o Rio é um projeto piloto para o resto do Brasil, um representante da AS/COA ia para a NPR e dizia “dentro de todo esse caos e dessas coisas inacreditáveis que aconteceram no último ano, eu sempre digo às pessoas que uma coisa que definitivamente não acontecerá no Brasil é um golpe militar”.

Enquanto uma classe rentista de fantoches dos Estados Unidos vende os recursos naturais e o patrimônio tecnológico brasileiro para as corporações internacionais, as companhias que financiam a AS/COA estão forrando seus bolsos. A maioria dessas companhias são também grandes anunciantes nas maiores companhias de mídia da América. Podemos confiar nelas para proverem um jornalismo objetivo sobre o Brasil?
Como disse certa vez Noam Chomsky, “se você abandona a arena política alguém irá ocupá-la. As corporações não irão pra casa… Elas vão dirigir as coisas”.

______________

[i] Lawfare, termo que pode ser traduzido literalmente como “guerra jurídica”, é a prática de usar a lei como uma forma de guerra assimétrica , com o emprego sistemático de manobras jurídico-legais para derrotar o adversário.

Carta aos Camaradas do PCdoB sobre Cultura e Cinema.

O brasileiro está passando por um momento sombrio da sua História. São milhões de empregos perdidos. A política e a economia descendo ladeira abaixo, junto com uma parte da nossa moral, autoestima, soberania, e domínio sobre nossos recursos naturais.
Estamos vendo uma classe média guiada através dos meios de comunicação, demonstrar com raiva valores distorcidos e expressar sem medo seu preconceito, egoísmo e intolerância.
Refletindo uma parte perversa dessa cultura que é fabricada para satisfazer aos interesses do capital financeiro e da hegemonia norte-americana.
É o que explica em grande parte, como nas manifestações de 2013 estavam nas ruas protestando milhares de adolescentes que foram beneficiados com os programas sociais dos governos do PT.

É porque os bilhões investidos através das leis de incentivo não foram direcionados para retomarmos o domínio de nossa própria cultura. Mas para lucrar e fazer a reprodução dos valores distorcidos dessa perversa cultura hegemônica.

Esse é o resultado quando se espera um desenvolvimento econômico da cultura em detrimento do desenvolvimento humano que ela deve prover.

Os valores da cultura de consumo americano, que transcendem a matéria e transformam até o próprio corpo em produto, é feito para moldar nossa ideologia, controlar nossa democracia, guiar a nossa economia, atacar a nossa solidariedade, criar uma sensação de impotência e baixo estima, e nos transformar em consumidores.

Vivemos sob a égide de uma cultura massificada cujos valores contribuem bem mais para os vícios do que para as virtudes.

Uma cultura criada para ser insaciável. Voltada para a aparência. Voltada para o lucro – oferecendo para quem tem dinheiro o máximo de prazer pelo menor esforço.

É uma cultura que glorifica a juventude e evita o envelhecer. Que interrompe o amadurecimento humano. É hedonista. Individualista. Competitiva, onde o outro é visto apenas como um rival ou obstáculo. É uma cultura impaciente, imediatista e apressada.

É preciso criar um entendimento de que a cultura brasileira é antes de tudo uma ferramenta para o desenvolvimento da nação, atuando no fortalecimento da identidade nacional e fundamental na construção de uma unidade em torno da necessidade de defesa da soberania nacional.

Na realidade da nossa indústria cinematográfica, os filmes transformadores, que aumentem nossa autoestima e defendem nossa identidade, raramente tem encontrado espaço.
Enquanto filmes que fazem a reprodução desses valores distorcidos da classe média, que exploram em forma de piada a tragédia do nosso caráter, ficam durante muito tempo em cartaz, ocupam várias salas e encontram verbas opulentas para sua divulgação. Sem necessariamente serem sucessos de bilheterias.
Podemos ter certeza de que para o cinema americano ocupar sempre quase todas as nossas telas por durante tanto tempo, é porque lá, eles veem o cinema como uma ferramenta fundamental e estratégica para a construção de uma cultura hegemônica capaz de contribuir para um controle social doméstico e internacional.
Aqui há uma naturalização na aceitação da ostensiva presença do cinema americano em nossas salas.
Por conta de ser essa mesma classe média, com esses valores já distorcidos e manipulados, que vão ao cinema. São eles que pagam os ingressos. São eles o público médio e o público alvo de um blockbuster.
Por isso o cinema tem reproduzido esses valores e não tem contribuído para refletir ou tentar transformar essa distorção moral.
Por que são os filmes que exploram e fazem a reprodução dessa cultura fabricada que conseguem pleno acesso aos meios de propaganda, distribuição e exibição na cadeia produtiva da indústria do cinema nacional.
Por isso os filmes autorais demoram muito, enquanto filmes comerciais saem a toque de caixa.
Por isso os cineastas sofrem uma imensa dificuldade para distribuir e exibir os seus filmes que não giram um montante vultoso de dinheiro.
Sem distribuição a grande maioria dos filmes brasileiros acabam tendo receitas menores do que o valor que captaram.
É preciso dar aos cineastas ampla garantia de distribuição e exibição de suas obras. É preciso criar uma política real e efetiva de vinculação, distribuição e exibição dos filmes produzidos por leis de incentivo ou aqueles feitos de forma privada.
É um desperdício de dinheiro público quando se investe em um filme que não é visto por ninguém. É preciso que não seja também um desperdício de dinheiro privado.
É preciso criar estímulos para a produção privada de filmes.
Se o cinema virou um negócio milionário, de lucro rápido para um seleto número de empresas privadas. Por que o cinema comercial deve ser isento do risco de aplicar seu próprio dinheiro em um negócio que se tornou extremamente lucrativo?
As majores, canais e complexos, formam um gargalo que filtra os filmes que vão entrar em seu pequeno circuito.
A questão é que esse seleto grupo que lucra com a bilheteria também é o mesmo que fica com a maior parte de todo dinheiro público captado pelas leis de incentivo.
um dinheiro para os privilegiados, conseguido através de lobby político, de influência, de submissão e preenchimento burocrático de papel.
As leis fizeram com que os produtores passassem a ganhar na produção e não mais na bilheteria. Ao mesmo tempo, criou as condições para que os estúdios americanos, os canais de televisão e empresas privadas e estatais assumissem o monopólio do que seria produzido e exibido no país.

As leis permitem que os estúdios americanos usem seus impostos para produzir filmes que são brasileiros, mas desenvolvidos e supervisionados por eles.
Os EUA que têm departamentos específicos, com verbas milionárias para atuar na cultura em cada região do mundo onde haja interesses geopolíticos envolvidos. Celebram poder fazer isso agora com o nosso próprio dinheiro.
Eles trabalham o seu cinema não somente como uma forma de entretenimento regulado pelo mercado. Como aqui querem nos fazer pensar.
Este domínio que faz o cinema brasileiro ser uma minoria em seu próprio país. Mas toda minoria deve ter um tratamento diferenciado.
O cinema brasileiro é historicamente constrangido pela hegemonia do cinema americano. É vítima de um preconceito culturalmente fabricado por essa política cultural de cajueiro que salga a terra em volta para que seus frutos sejam sempre os mais doces.
Isso justifica a implementação de uma cota que não diverge em ideologia das cotas que já foram criadas pelo governo em outras áreas.
Se há uma cota de tela, o lógico então é que ela seja prioritariamente das produções independentes, ou seja, feitas de maneira privada. Porque para esse tipo de investimento a bilheteria torna-se a única forma de se pagar. As obras incentivadas se pagam na produção.

Aliás, o fim último das leis de incentivo sempre foi a criação de uma indústria autossustentável.
Políticas de incentivo só podem ser entendidas enquanto parte de um processo. Um objetivo. Uma transformação. Quando passam a ser um fim em si mesmo, perdem completamente a validade.
Hoje enfrentamos uma situação onde não há cultura sem lei de incentivo. A pratica de injeção de dinheiro público concebida para incentivar uma indústria privada e autossustentável de filmes, virou a própria política cultural.
É preciso que exista uma indústria privada de filmes que possa produzir para além da vagarosa, burocrática, e muitas vezes ilegal, via do dinheiro público.

Como a história recente do país mostra não há nada de natural e saudável no processo de captação de dinheiro público. Está muito longe de ser feita pelos méritos dos projetos, mais sim das vantagens financeiras que derivam deles.

A própria situação política do país criou um cenário desfavorável ao uso de dinheiro público. Afinal ficou demonstrado que nem sempre são as virtudes que nos faz chegar até ele.
Uma indústria de cinema que se paga na produção com um dinheiro que não é seu, pode não ter compromisso com o resultado final e criar projetos de filmes que existem somente para embolsar dinheiro público.
Por isso é preciso que tenhamos como política de governo investir nesse cinema que não precisa de dinheiro público para existir.
Esse cinema, que é a parte positiva da lei, e é praticamente ignorado. Uma forma de produzir que não usa dinheiro público e trabalha em regime de cooperativa com distribuição de lucro atrelado ao desempenho nas bilheterias.
o cinema assim como está, reproduz a pirâmide da desigualdade social da sociedade brasileira no que consiste a concentração de renda e divisão das oportunidades.
No topo temos alguns filmes responsáveis pela quase totalidade das vendas de bilhete. E na base, mais de cem filmes distribuídos em menos de 1% das salas dos parques de exibição nacional.
As leis de incentivo à cultura no cinema focaram na produção, mas deixaram a distribuição e a exibição a sabor do mercado, fazendo com que a grande maioria dos filmes produzidos por ela não chegassem ao seu principal patrocinador: o povo brasileiro.
Se esses filmes são feitos com dinheiro de impostos e não estão chegando ao espectador, não são só os filmes, mas também é o dinheiro dos impostos que não estão retornando ao contribuinte.
O que temos é um gargalo de distribuição e exibição por gênero e orçamento de produção, comercialização e propaganda.
Enquanto uma gama de novos cineastas, produtores independentes e profissionais do mercado, em razão das centenas de escolas de cinema que abriram com a retomada, não terão garantias de emprego por conta desse gargalo.
É preciso botar os filmes nas salas de exibição para que fiquem disponíveis ao público e participem do desenvolvimento e da riqueza da nação.
os propagandistas da cultura hegemônica tentam passar a ideia errada de que filme autoral é sinônimo de filme ruim, ou que filmes baratos são sem qualidade.
filmes não são bons ou ruins, mas formas de expressão que nos ajuda a compreender o mundo. Capazes de identificar e traduzir comportamentos necessários para o aperfeiçoamento e o desenvolvimento da nação.
É esse direito a autocritica, ao auto reconhecimento e a transformação que está sendo roubado com a não distribuição e exibição da grande maioria dos filmes produzidos no Brasil.
Nosso mecanismo de distribuição permite que dezenas de filmes milionários sejam um fracasso, mas não permite que filmes mais simples possam fazer grandes bilheterias.
Muitos filmes com orçamento gigantescos fracassam. Enquanto a filmes independentes de orçamento baixo, nem são dadas as chances de tentarem.
Os governos legislaram para as produtoras grandes sem ver que com isso asfixiavam as pequenas.
Com as novas tecnologias, fazer filmes ficou mais barato. O acesso aos meios de produção ficou mais democrático. Deveríamos ter muito mais filmes, deveríamos ter orçamentos muito mais baratos. Mas não foi isso que aconteceu.
As leis passaram a permitir que o captador do dinheiro público pudesse ficar com uma fatia grande de todo orçamento. A partir daí foi decretada a morte dos filmes de baixo orçamento.
A indústria passou a adotar uma postura mercantilista e capitalista com o dinheiro público, mas paradoxalmente não desenvolveu nenhum tipo de política para os produtores privados de filme.
Mas, um país forte não pode prescindir de uma cinematografia independente, que aconteça sem a participação do Estado.
Sob a pena de ver incutido em suas obras um dirigismo ideológico explicito ou velado, de ordem de consciência ou simplesmente, para manter o acesso as verbas públicas.
Não é saudável que todos os filmes passem pela ingerência do estado. Ao contrário, é extremamente perigoso um cinema que depende totalmente de dinheiro público para existir.
Não é saudável que todos os filmes passem pela ingerência dos diretores de marketing do mercado, das programadoras, das distribuidoras e das redes de televisão.
Há uma safra de produtores dispostos a tudo para chamar a atenção desses que se auto denominam players do mercado, desempenhando um papel submisso e mendicante para conseguir dinheiro.
Qual o proposito que queremos para o cinema brasileiro, que ele contribua para o enriquecimento da nação ou para o enriquecimento pessoal de alguns players do mercado?
A indústria do cinema não é um cassino. É preciso redimensionar a importância desses players na cadeia produtiva.
Os cineastas e produtores não devem mendigar dinheiro público ao estado para produzir. Não devem mendigar publicidade aos canais de televisão e muito menos mendigar tempo e sala ao mercado, pois isso é uma questão estratégica de fortalecimento da nossa soberania popular.
Instar um cineasta a submeter seu filme à uma análise, é uma forma dissimulada de praticar um dirigismo ideológico, ancorado em um prejulgamento de importância social e capacidade financeira.
É preciso que a distribuição de verbas e oportunidades não estejam vinculadas por exemplo, a uma suposta meritocracia, sistema de pontuação, ou julgamento subjetivos como são os editais ou o FSA. Não faz sentido, por exemplo, pontuar a estrutura física de uma produtora de uma atividade comercial intrinsicamente terceirizada.
Como também não é possível acreditar que a subjetividade no julgamento não seja afetada pelas relações de favores e compadrios característicos de todas as classes de nossa sociedade. Bem como a troca de interesses econômicos, como a venda de caminhos alternativos e ilegais para a liberação da verba pública.
Também é preciso repensar o papel dos festivais nacionais cujos filmes vencedores também não chegam as salas de cinema e cujos prêmios contribuem para um universo de glamour que provoca um afastamento dos reais e necessários anseios da classe.
Desviam, nos cineastas, o foco do objetivo principal do cinema que é estar presente com os nossos filmes na maioria das nossas próprias salas de cinema.
Alimentando um sentimento de competição e individualismo típicos do regime financeiro que vivemos. O cinema deixa de existir como um movimento coletivo para existir como experiência pessoal.
É preciso trocar no cinema o sentimento de competição, de privilégio, de egoísmo, típico do capitalismo selvagem, pelos sentimentos de cooperação, de associação, de comunidade, de igualdade social e de renda, de oportunidades, de generosidade e amor. Esses sim, típicos da nossa filosofia comunista.
Só um cinema livre é capaz de criar novos super-heróis nacionais. capazes de impedir os super-heróis americanos de dominar o mundo e não deixar espaço para mais ninguém. Como estão fazendo por aqui.
Só um cinema independente forte pode refletir a necessidade de unidade frente ao momento histórico do país.
O cineasta é aquele que entende o ofício como um elemento importante para a identidade e o aperfeiçoamento humano, e é capaz de interferir na realidade.
Uma cadeia produtiva de cinema mais justa está engasgada na garganta de milhares de cineastas brasileiros de todas as gerações.
Devemos fazer justiça com quem vêm pagando um alto preço por ousar filmar livremente.
Sob a pena de nunca conseguirmos nos livrar dessa cultura nefasta que glorifica o malandro e transforma em otário o homem honesto e comum.

Obs.: A adequada regulação das atividades audiovisuais é essencial para garantir o desenvolvimento e a preservação do patrimônio cultural e assegurar o direito dos brasileiros de ver, fruir e produzir sua imagem, fortalecendo a diversidade cultural.
Objetivo.
Garantir o respeito ao princípio constitucional do Art. 5º XIV
– É assegurado a todos o acesso à informação(…),
E aos princípios constitucionais relativos à comunicação social, em suas diretrizes e ações de desenvolvimento e proteção da indústria nacional do cinema e do audiovisual; Art. 220.
– A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição.
§ 5º – Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio.
II – Promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente que objetive sua divulgação;
Obs.: Na regulação das relações econômicas das atividades audiovisuais observar-se-ão, em especial, os princípios constitucionais da soberania nacional, da diversidade e da preservação do patrimônio cultural brasileiro, da função social da propriedade, da vedação ao monopólio e ao oligopólio dos meios de comunicação social, da liberdade de iniciativa, da livre concorrência, da defesa do consumidor, da redução das desigualdades regionais e sociais e da repressão ao abuso do poder econômico.
As atividades audiovisuais serão organizadas com base no princípio da livre, ampla e justa competição entre todos os exploradores, devendo o poder Público atuar para propiciá-la, assegurando a diversidade cultural e de fontes de informação e a preservação do patrimônio cultural brasileiro, cabendo ao poder público:

1 – Promover e preservar a soberania, a língua, a cultura e os valores brasileiros;

2 – Salvaguardar a liberdade de expressão e a diversidade de fontes de informação;

3 – Promover a universalização do acesso às obras cinematográficas e a outros conteúdos audiovisuais brasileiros, bem como de atividades cinematográficas e audiovisuais voltadas à obtenção, pela população, de informação, educação, cultura e lazer;

4 – Combater o abuso do poder econômico e zelar pela independência dos exploradores de atividades cinematográficas e audiovisuais;

5 – Estimular a diversificação da produção cinematográfica e audiovisual e o fortalecimento da produção independente, da produção regional de obras cinematográficas e de outros conteúdos audiovisuais brasileiros, com vistas ao incremento de sua oferta e divulgação, à melhoria permanente de seus padrões de qualidade;

6 – Promover o desenvolvimento e aumentar a competitividade da indústria cinematográfica e audiovisual brasileira, nos diferentes segmentos do mercado interno e externo;

7 – Estimular a presença e a visibilidade das obras cinematográficas e de outros conteúdos audiovisuais brasileiros em todos segmentos dos mercados interno e externo;

8 – Apoiar a participação diversificada de obras cinematográficas de outras nacionalidades no mercado brasileiro;

9 – Incentivar a capacitação de recursos humanos e o aperfeiçoamento da infraestrutura brasileira de serviços cinematográficos e audiovisuais;

10 – Promover a integração programática, econômica e financeira de atividades governamentais relacionadas ao cinema e ao audiovisual;

11 – Promover o fortalecimento de empresas nacionais de cinema e de audiovisual, em todos os elos da cadeia: produção, distribuição, exibição e infraestrutura;

12 – Estimular a ampliação e o fortalecimento da rede de exibição de cinema, buscando ampliar sua cobertura geográfica;

13 – Garantir que a exploração econômica do mercado interno por obras cinematográficas e audiovisuais estrangeiras resulte na destinação parcial de recursos ao fortalecimento de empresas brasileiras do setor com vistas à isonomia de competição;

14 – Manter informações estatísticas de mercado necessárias à consecução destes objetivos.

Comunismo de base. Liberalismo de fim – Sociologia no século XXI.

Na recente polarização que enfrentamos uma coisa tem ficado bem clara: a grande maioria das pessoas, de ambos os espectros políticos ainda não conseguiu descolar a noção de comunismo de sua conjuntura histórica.
A esquerda quando exalta Cuba, o faz com razão, pois um pais que manda médicos para países em dificuldades enquanto os EUA mandam bombas, deve mesmo ser louvado.  Cuba parece ter cumprido o destino apregoado por Che, de formar um “novo humano reformando sua moral”, e demonstra isso através de posições fantásticas reconhecidas entre todos os países.
Cuba é o único país latino americano sem problema com drogas e com alto grau de esperança de vida. Em Cuba todas as crianças e os adultos são alfabetizados e não há problemas de desnutrição infantil. Cuba possui o maior numero de médicos per capita do mundo. E não contribui para a superpopulação sendo responsável e um exemplo em sustentabilidade ecológica.
Fica realmente difícil querer negar que o Comunismo também deu certo. Se não pode ser julgado pelo seu desenvolvimento material, pois este, além de ser histórico, também é sabotado pelo constrangedor embargo econômico à ilha; pode e deve ser reconhecido por seu desenvolvimento moral.
Já o Capitalismo, presente na maioria dos países pobres subdesenvolvidos (tenho muitas duvidas quanto ao termo “em desenvolvimento”), a despeito da inegável virtude do progresso cientifico e tecnológico, vem apresentando problemas morais, por conta de um egoísmo intrínseco ao que se entende como vitória material desse sistema.
O Haiti é capitalista e é infinitamente mais miserável que Cuba, mas ninguém comenta sobre o seu regime.
Os Liberais capitalistas buscam suas razões invocando a falta de liberdade, prisões e mortes de Stálin ou Mao. Acusando mesmo Che, que revolucionou a cultura de Cuba com esse seu conceito de um “novo Humano revolucionário”, de ser um mero monstro assassino e sanguinário.
E de maneira simplista citam o comunismo como um regime que matou milhões e que retira do homem sua liberdade de ter suas riquezas.
Nada mais ingênuo e pueril do que o argumento que governos comunistas são incapazes de produzirem riquezas. E que nunca terão capacidade tecnológica de ponta e nem acesso às maravilhas do mundo do consumo.
Ao contrario, podemos dizer que só o comunismo pode redimir o próprio capitalismo e a cultura do consumo de sua farsa histórica: a vitória da meritocracia.
O comunismo é simplesmente uma idéia de base que os ambiciosos de ambos os espectros ideológicos tomaram como uma idéia de fim.
Se o ponto de partida das oportunidades humanas for igual para todos, então o mérito, o acumulo de capital, bem como as posições sociais, são finalmente justificadas pela meritocracia.
No lugar de bases igualitárias, o que vemos no mundo ocidental capitalista são posições sociais frutos de conchavos e compadrios, de troca de favores imorais e injustificados tecnicamente. Um acúmulo de riquezas fruto da exploração de mão de obra e de recursos, da sonegação, e de privilégios não éticos que muitas vezes seguem transmitidos como herança, e estão concentrados entre um numero reduzido de atores de uma elite nefasta.
Com as bases sociais comuns e iguais, ou seja: com saúde para todos, com escolas com o mesmo nível de educação disponível para todos, com acesso aos bens culturais de forma equânime e generalizada, com moradia digna e acesso a comida, água filtrada e a saneamento básico. Um país tem em seu mercado de trabalho, cada vez mais, trabalhadores capacitados para competirem e concorrerem pacificamente pelo aperfeiçoamento das próprias bases materiais de existência.
Em síntese, não é o comunismo uma idéia de fim de uma sociedade, mas ao contrario, é o seu inicio. O comunismo é a garantia do pleno exercício da meritocracia capitalista.
Donde se conclui que o melhor sistema de governo que pode dar fim ao desespero humano, é uma síntese entre os dois sistemas que disputam ideologicamente e materialmente a hegemonia do comportamento humano.
Precisamos então fazer um sistema de governo que coloque o comunismo de base e o liberalismo de fim. Um sistema de tal sorte construído onde um não funciona sem o outro, atendendo a lei mais básica da vida.
Não podemos falar de justiça social sem falar de liberdade. Também não podemos falar da meritocracia sem falar da igualdade de oportunidades.  Não podemos falar de uma justa competição, sem todos terem as mesmas condições e os mesmos pontos de largada.
Toda atividade intelectual e toda criação material nasce de uma operação dialética que cria uma síntese. Síntese que inevitavelmente passa a ser a próxima tese de uma nova operação dialética e assim dá-se a evolução e o desenvolver da vida.
A guerra do capitalismo contra o comunismo é o maior expoente dessa operação dialética que pode ser compreendida por nossa inteligibilidade. E ela está sendo tão fortemente experimentada, muito provavelmente, por estar em via de fato de ser resolvida.
Porque nunca foi a humanidade tão consciente de que é ela quem está em jogo.

Reflexões sobre a proibição ao trafico de drogas no Brasil

rp p linkedin

É mister que se diga que a estratégia de criar e criminalizar o tráfico de drogas, se deu justamente para evitar o viés ideológico do comunismo entre os desfavorecidos.
A proibição ao tráfico em plena guerra fria, foi uma estratégia social, econômica e política que deu aos americanos a possibilidade de cooptar, com isso identificar, criminalizar e eliminar legalmente futuros líderes de uma revolução.
Nós podemos medir a ingerência dos países da guerra fria no tráfico, pela substituição progressiva dos AK47 (russos) pelos AR15.
O AR15 é americano. Acha que algum brasileiro vai lá comprar para depois vender nas favelas do Rio? Ou são os americanos que os trazem para cá?
Da mesma maneira que já pegaram cocaína em helicóptero de senador, já pegaram AR15 em barcos de militares americanos nas praias do Rio. Mas isso não reverbera na grande mídia teleguiada.
Há pouco, ouvi uma entrevista do advogado do Nem, dizendo que ele estava disposto a negociar. A resposta recebida foi que “não se negocia com bandido”.
Não é o que nós temos visto, né? O que é afinal uma delação premiada? O que as autoridades querem dizer é que “não se negocia com bandido pobre, que usa violência, mas apenas com aqueles que praticam crimes do colarinho branco, que roubam milhões nos dando tapinhas nas costas”.
Alheios à realidade que é a pobreza gerada por seus crimes mais a sensação de impunidade que fortalecem as práticas dos crimes violentos cometidos pelos pobres.
Já o tráfico de drogas só incentiva à prática dos crimes de colarinho branco pelo vício de alguns dos seus usuários ricos.
O advogado termina com uma ameaça velada de que se não houver negociação, nas condições atuais de polarização do país, é possível que o crime tome partido e passe a ter em suas fileiras um viés ideológico.
E para ambos os lados.
Tenho uma tese sociologica apresentada a PUC-Rio, onde já previa esse possivel acréscimo de um viés ideologico nas praticas criminosas ligadas ao tráfico.
É um documentário que está disponivel no youtube, chamado RIO PALESTINA https://www.youtube.com/watch?v=0awjK-QrotM
Se puderem assistam.

Sobre a decisão política de se criminalizar as drogas.

 

Untitled
Milton Santos

Foi com medo da revolução dos que não comem, que a classe que não dorme tomou a decisão política de criminalizar o tráfico de drogas.
Os jovens corajosos e carismático que poderiam ser futuros líderes dessa revolução são tragados pelo tráfico pela necessidade de sobrevivência, e assim, são identificados e dizimados legalmente, em um genocídio tão vergonhoso à condição humana quanto aos dos judeus, deficientes, homossexuais e comunistas na câmara de gás de Hitler.
A descriminalização das drogas tidas como ilícitas, bem como a regulação daquelas lícitas como o álcool, que é incentivado nas propagandas, mesmo à despeito de estarem presentes na maioria dos crimes passionais e de trânsito, se faz urgente!
É mister que se tire as drogas da favela e não o jovem traficante morto!
Porque acima de tudo, com esse genocídio estamos tirando por ano mais de 50 mil jovens que deveriam estar contribuindo com seu trabalho para a riqueza e desenvolvimento da nação.

 

Usando a Física Quântica para tentar avançar com o pensamento humano.

Indo além de Freud….
O sonho não é um mero produto substrato do trabalho do mundo neuronal.
Mas um mundo real a ser explorado. Uma nova consciência universal.
*
Indo além de Hegel, Engels e Marx….
Não é apenas a consciência que determina a nossa existência.
Nem tampouco é nossa existência que sozinha determina a nossa consciência.
São as duas coisas. As duas forças em equilíbrio.
*
Indo além de Gramsci e do seu socialismo científico…
Correto por prescindir da guerra para alcançá-lo.
Mas não são os intelectuais os responsáveis pela organização da cultura.
E sim, os artistas!
*
Indo além de Darwin…
A vida não apenas se adapta ao meio ambiente.
Mas também, ao pensamento.
*
Indo além de Cicero…
A História não é mestra da vida.
A História é a vida.
Há de se viver e aprender a viver vivendo.
*
Indo além de Deus…
A lógica por trás de um sacrifício está correta.
Só nunca a dominaremos com atos externos.
*
O que verdadeiramente livra seu caminho de um fim trágico ou de uma morte violenta é a integridade das suas escolhas.
É o respeito à Lei moral, que deve reger nossos atos.
Estamos aqui nesse mundo sob o princípio de sermos melhores.
Se somos, ficamos.
Se não somos, seremos arrancados sem que nos peçam licença…

Uma breve reflexão sobre a situação da cultura brasileira.

O cinema mendiga dinheiro para o Estado. Mendiga salas para o mercado. Mendiga mídia para a Globo filmes. São todos traficantes de cultura. A nossa cultura é uma droga feita para te viciar e te dar prazer. Ao contrário das ditaduras, torna homogênea uma sociedade não pela força, mas pelo seu consumo. Pelo consumo dessa droga que é a nossa cultura.
Uma cultura que escraviza. Que te faz consumir mesmo sem o querer. Que te torna mentiroso como ela, que sempre te engana com falsas novidades. Uma cultura que te esconde as responsabilidades. Uma cultura que te impede de alcançar algo fora dá monótona rotina. Que te encerra a chance de formar novas redes neuronais.
A cultura é uma droga. E como toda droga tem o seu mercado. A cultura é um deserto onde te vendem oásis a preço de banana. Temos que nos libertar da farsa dessa nossa cultura que nos impede de crescer como nação.
Uma cultura que impõe valores diferentes para uma juventude desregrada e para pais conservadores de outro país. Que copia os modos que tornam os jovens vendáveis e prontos para o consumo, enquanto pedem respeito ao resto da família.
Uma cultura que brinda com dinheiro fácil a quem reproduza seus valores mais fáceis de se botar à venda.
A cultura é o Espirito de uma nação. É o que molda sua identidade e faz circular os acontecimentos e as informações. É o que mostra a um povo o que ele realmente é. E tudo que ele poderia ser.
A cultura no Brasil de hoje é a cultura do jeitinho. A cultura do malandro, golpista e um sete um. A cultura dos vinte por cento. A cultura do honesto sendo o otário da repartição. A cultura do político corrupto. Do ladrão que rouba, mas faz. Do empresário corruptor. Do sonegador, do moralista sem moral. A cultura do consumo e da alienação. Uma cultura de artistas que recebem muito, mas devolvem muito pouco.
E tudo isso acontecendo com o devido consenso do silêncio das celebridades intelectuais.