Sobre a decisão política de se criminalizar as drogas.

 

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Milton Santos

Foi com medo da revolução dos que não comem, que a classe que não dorme tomou a decisão política de criminalizar o tráfico de drogas.
Os jovens corajosos e carismático que poderiam ser futuros líderes dessa revolução são tragados pelo tráfico pela necessidade de sobrevivência, e assim, são identificados e dizimados legalmente, em um genocídio tão vergonhoso à condição humana quanto aos dos judeus, deficientes, homossexuais e comunistas na câmara de gás de Hitler.
A descriminalização das drogas tidas como ilícitas, bem como a regulação daquelas lícitas como o álcool, que é incentivado nas propagandas, mesmo à despeito de estarem presentes na maioria dos crimes passionais e de trânsito, se faz urgente!
É mister que se tire as drogas da favela e não o jovem traficante morto!
Porque acima de tudo, com esse genocídio estamos tirando por ano mais de 50 mil jovens que deveriam estar contribuindo com seu trabalho para a riqueza e desenvolvimento da nação.

 

Usando a Física Quântica para tentar avançar com o pensamento humano.

Indo além de Freud….
O sonho não é um mero produto substrato do trabalho do mundo neuronal.
Mas um mundo real a ser explorado. Uma nova consciência universal.
*
Indo além de Hegel, Engels e Marx….
Não é apenas a consciência que determina a nossa existência.
Nem tampouco é nossa existência que sozinha determina a nossa consciência.
São as duas coisas. As duas forças em equilíbrio.
*
Indo além de Gramsci e do seu socialismo científico…
Correto por prescindir da guerra para alcançá-lo.
Mas não são os intelectuais os responsáveis pela organização da cultura.
E sim, os artistas!
*
Indo além de Darwin…
A vida não apenas se adapta ao meio ambiente.
Mas também, ao pensamento.
*
Indo além de Cicero…
A História não é mestra da vida.
A História é a vida.
Há de se viver e aprender a viver vivendo.
*
Indo além de Deus…
A lógica por trás de um sacrifício está correta.
Só nunca a dominaremos com atos externos.
*
O que verdadeiramente livra seu caminho de um fim trágico ou de uma morte violenta é a integridade das suas escolhas.
É o respeito à Lei moral, que deve reger nossos atos.
Estamos aqui nesse mundo sob o princípio de sermos melhores.
Se somos, ficamos.
Se não somos, seremos arrancados sem que nos peçam licença…

Uma breve reflexão sobre a situação da cultura brasileira.

O cinema mendiga dinheiro para o Estado. Mendiga salas para o mercado. Mendiga mídia para a Globo filmes. São todos traficantes de cultura. A nossa cultura é uma droga feita para te viciar e te dar prazer. Ao contrário das ditaduras, torna homogênea uma sociedade não pela força, mas pelo seu consumo. Pelo consumo dessa droga que é a nossa cultura.
Uma cultura que escraviza. Que te faz consumir mesmo sem o querer. Que te torna mentiroso como ela, que sempre te engana com falsas novidades. Uma cultura que te esconde as responsabilidades. Uma cultura que te impede de alcançar algo fora dá monótona rotina. Que te encerra a chance de formar novas redes neuronais.
A cultura é uma droga. E como toda droga tem o seu mercado. A cultura é um deserto onde te vendem oásis a preço de banana. Temos que nos libertar da farsa dessa nossa cultura que nos impede de crescer como nação.
Uma cultura que impõe valores diferentes para uma juventude desregrada e para pais conservadores de outro país. Que copia os modos que tornam os jovens vendáveis e prontos para o consumo, enquanto pedem respeito ao resto da família.
Uma cultura que brinda com dinheiro fácil a quem reproduza seus valores mais fáceis de se botar à venda.
A cultura é o Espirito de uma nação. É o que molda sua identidade e faz circular os acontecimentos e as informações. É o que mostra a um povo o que ele realmente é. E tudo que ele poderia ser.
A cultura no Brasil de hoje é a cultura do jeitinho. A cultura do malandro, golpista e um sete um. A cultura dos vinte por cento. A cultura do honesto sendo o otário da repartição. A cultura do político corrupto. Do ladrão que rouba, mas faz. Do empresário corruptor. Do sonegador, do moralista sem moral. A cultura do consumo e da alienação. Uma cultura de artistas que recebem muito, mas devolvem muito pouco.
E tudo isso acontecendo com o devido consenso do silêncio das celebridades intelectuais.

Quero ser político, mas os partidos não deixam.

Pergunto eu: tem os partidos políticos o direito de decidir quem serão as únicas pessoas capazes de participar da administração do bem público?

Você já tentou se filiar para se candidatar em algum partido político? Sei que a maioria vai dizer que não, mas os que já tentaram vão concordar comigo o quanto é difícil. Você se torna uma ameaça de divisão de votos dentro do próprio partido. Eu já trabalhei em uma campanha que o partido para interromper a ascensão do candidato para qual eu trabalhava, mandou fazer alguns milhares de filipetas para distribuir na boca de urna. Todas com o número de votação errado.

Hoje, pela terceira vez na vida, eu finalmente ouvi de novo uma outra pessoa sustentar a tese do candidato independente. A tese que prega o fim do monopólio da política pelos partidos políticos.

Essa tese tem por princípio a definição do conceito do que é a própria democracia, e que está muito longe de ser a obrigação que todos temos de escolher alguns políticos para nos representar nas decisões do governo.

Antes, Democracia é o direito que todo cidadão tem de participar da administração do bem público. E não é demais afirmar que o atual sistema eleitoral passa longe desse conceito, tendo como resultado essa distância abissal entre a classe a privilegiada classe política e o resto da sociedade brasileira.

Pois bem, li agora que um grupo de jovens também estão levantando essa bandeira, que antes só tinha sido ventilada da boca do Joaquim Barbosa, e antes dele, pelo ex-presidente Itamar Franco.

Aos que levantam essa bandeira, eu vos suplico: não abaixem ela nunca. Sejam incansáveis na construção dos fundamentos que devem existir nessa nova ideia de democracia, voltada agora aos que querem, e não só aos que podem.

No meu primeiro documentário feito em 2000 chamado PRPP (PUC – RIO DAS PEDRAS – PARAÍBA) eu coloco uma frase de Alexis de Tocqueville:

“Não voltemos nossos olhares para a América a fim de copiar servilmente as instituições que lá se deram, mas para melhor compreender as que nos convêm; Menos para lá buscar exemplos do que ensinamentos; antes para tomar-lhes emprestado os princípios, do que os detalhes de suas próprias leis…”

E sigo com o narrador:

 “Por que nós brasileiros não voltamos os nossos olhares para a américa a fim de copiar o princípio da lei, por exemplo, que permite um cidadão candidatar-se em uma eleição sem ser filiado a nenhum partido? Nós brasileiros copiamos dos Estados Unidos somente o sistema de governo neoliberal, com a sua economia e seu amor pelo consumo, mas esse sistema que nós brasileiros copiamos com tanta vontade, vê as favelas e os pobres como um tumor que deve ser extirpado, e sem nenhuma chance de readaptação no mundo capitalista evoluído.

 Não é à toa que mais da metade do continente Africano já está infectado com o vírus da AIDS.

Aos miseráveis, a única ajuda que resta é a solidariedade do sistema paternalista, o assistencialismo, que por sua vez se torna uma imensa fonte de poder político pessoal, ao mesmo tempo em que é a única esperança dos pobres não morrerem de fome abandonados pelo poder do Estado que segue a política neoliberal. ”

 Praticamente essa é a encruzilhada que ainda se apresenta. Devo confessar que a força libertária dada pela imaturidade do texto ainda me encanta. Afinal, estamos falando do meu primeiro documentário. Já fiz mais dois depois dele. E mais dois longas de ficção.

Aliás, cabe dizer que fazer cinema no brasil também não é fácil. Mas chegará o dia em que nós também entenderemos que ter facilidade na liberação de dinheiro público para fazer um filme, não deve ser paga. E que as obras não devem ser escolhidas pelos lobbys nesse sentido, mas por mérito. Assim como esse dia hoje chegou para a política.

Para finalizar, só quero deixar registrado uma direção a seguir: o critério para um candidato poder se candidatar de forma independente em uma eleição americana é o financeiro. Tem que ser rico.

Qualquer critério que não seja a liberdade ancorada em uma autoridade moral emanada pela nossa própria história, é pura perda de tempo. Não caiamos nessa esparrela, não cedamos a nenhuma pressão. Sigamos com o risco de pensar livremente, que um dia a gente acerta…

Entrevista com o filósofo Domenico Losurdo.

Depois que o fenômeno republicano e midiático Donald Trump assumiu o poder nos Estados Unidos e radicalizou o discurso contra as minorias e oponentes do imperialismo, algumas vozes têm dito que o mundo pode estar a caminho de um novo conflito mundial.

Essa é uma tese que soa falsa, dependendo da credibilidade ou fundamentação de quem a afirma, mas nas palavras do filósofo italiano Domenico Losurdo ela é real: “A condução política de Washington corre riscos de provocar uma nova guerra mundial, que pode até atravessar o limiar nuclear”, afirma ele, em entrevista à RBA, para quem os conflitos atuais, que colocam o Ocidente em oposição aos países fora de sua lógica, nada mais são do que expressões do pensamento tradicional colonialista.

A falta de conhecimento de história, um problema sério no Brasil, mas que atinge praticamente todo o mundo ocidental sob o furor consumista e imediatista, permite que a mídia tradicional, sempre a favor do poder instituído e dos ditames do capital, destile seu discurso conservador com menos resistência e menos sentimento de indignação que ocorreriam à luz da memória dos fatos. É o que se esforça por mostrar Losurdo.

“A luta contra o neoliberalismo precisa estar unida à luta contra o colonialismo, neocolonialismo e imperialismo”, afirma o filósofo, que nesta entrevista concedida por e-mail também desmonta a linguagem que se mostra como nova roupagem para antigos conceitos. “Atualmente, as guerras coloniais e neocoloniais são frequentemente realizadas em nome dos valores e interesses ocidentais”, sustenta o professor, demonstrando que, historicamente, o século 20 se rebelou contra a colonização, mas agora corremos o risco do retrocesso.

Nesta entrevista, o leitor tem a oportunidade de verificar pelos menos dois pontos: como o colonialismo continua vivo, portanto, com outras denominações, e também como a luta de classes se expressa no enfrentamento do neoliberalismo sobre os velhos conceitos de dominação.

Como o senhor descreve o colonialismo hoje? É um tipo de luta de classes, por que?

Desde 1989, o Ocidente, liderado pelos Estados Unidos, desencadeou guerras contra Panamá, Iraque, Iugoslávia, Líbia e Síria. Apesar das diferenças entre as guerras, esses países têm duas características em comum: eles são importantes do ponto de vista da geopolítica e têm por trás deles uma revolução feudal e outra anticolonial. Na verdade, frente a essas guerras, os atacantes preferem falar de “operações políticas internacionais”. Mas essa linguagem vem da tradição colonial.

No começo do século 20, o presidente dos Estados Unidos, Theodore Roosevelt, uma referência do colonialismo, imperialismo e racismo, gostava de justificar suas intervenções na América Latina precisamente desse modo, referindo-se às “operações políticas internacionais”.

É verdade para os dias atuais que os Estados Unidos e seus aliados e vassalos têm celebrado suas guerras como “humanitárias”. E de novo somos levados de volta para a linguagem da tradição colonial. Em seu tempo, (o colonizador britânico) Cecil Rhodes (1853-1902) resumiu a filosofia do Império Britânico deste modo: “filantropia, mais 5%”. Atualmente, as guerras coloniais e neocoloniais são frequentemente realizadas em nome dos valores e interesses ocidentais. “Filantropia” tornou-se “valores do Ocidente” e o percentual de 5%, tornou-se “interesses do Ocidente”.

As guerras desencadeadas pelo imperialismo desde 1989 (depois da vitória na Guerra Fria) causaram dezenas de milhares de mortes; são centenas de milhares de feridos; milhões de refugiados; destruíram países e condenaram ao subdesenvolvimento e ao desespero muita gente. É óbvio que a luta contra essas calúnias é uma luta de classes pela emancipação. Marx apontou: a barbaridade do capitalismo é manifestada primeiro nas colônias; por isso, a luta contra a dominação colonial e semicolonial é uma luta de classes por excelência.

O senhor publicou no Brasil o livro “Esquerda Ausente”. Qual o papel dos partidos de esquerda e dos movimentos sociais nos dias de hoje? Como eles podem se organizar?

Não pode ser considerado realmente de esquerda um partido ou força política que se limite a combater o neoliberalismo. Esta é a questão central. A luta contra o neoliberalismo precisa estar unida à luta contra o colonialismo, neocolonialismo e imperialismo. Especialmente em um momento como o presente. A condução política de Washington corre riscos de provocar uma nova guerra mundial, que pode até atravessar o limiar nuclear. Muitos observadores, incluindo os conservadores, destacam um ponto essencial: por algum tempo, o foco central da política externa norte-americana se ateve à habilidade de infligir uma ‘primeira ação nuclear sem consequências’ (para isso, sistemas antimísseis foram instalados nas fronteiras entre Rússia e China). Bom, a esquerda deve perceber que a luta contra o imperialismo, contra essa política de dominação e contra a guerra é uma parte integrante da luta de classes para emancipação.

No Brasil, o Congresso Nacional aprovou uma lei que congela e reduz o investimento em setores sociais para os próximos 20 anos. Outros direitos trabalhistas e sociais estão ameaçados. Qual pode ser o impacto dessas decisões para a democracia brasileira?

Ainda nos anos 1970, Friedrich August von Hayek, o patriarca do neoliberalismo, pediu o expurgo da Carta de Direitos sancionada pela ONU (direitos como à vida, ao trabalho, à saúde, educação etc.). Em sua cruzada contra o Estado de bem-estar social, Hayek não se referiu a problemas de orçamento; ele não se referiu a dificuldades econômicas. Não, para o patriarca do neoliberalismo, direitos sociais e econômicos deveriam ser eliminados pelo fato de que, a seus olhos, eles eram resultado de ruínas das influências exercidas, mesmo no Ocidente, pela “Revolução Marxista Russa”, nome pelo qual chamava a Revolução de Outubro. Na Europa e no Ocidente, após o enfraquecimento dos desafios do movimento comunista, a burguesia tratou de desmantelar o Estado de bem-estar social.

A contrarrevolução neoliberal também é perceptível no Brasil e na América Latina. Sem dúvida, o desmantelamento do Estado de bem-estar social acaba minando a democracia em si. Alguns analistas e autores, mesmo liberais, afirmam que a democracia norte-americana foi substituída por uma plutocracia, que é o domínio do Estado pelas grandes corporações. Para citar Joseph Stiglitz, economista norte-americano e Nobel de economia: “Em um país dominado pelo capital, desigualdades econômicas se traduzem em desigualdades políticas”.

Como o senhor avalia a perseguição sofrida por Lula pela Operação Lava Jato? Acredita em similaridades no processo de investigação entre a Lava Jato e a operação Mãos Limpas na Itália? Quais as principais? E qual a sua opinião sobre o impeachment da Dilma Rousseff, foi um golpe de Estado?

Para impor seu império global, o imperialismo norte-americano utiliza de recursos como guerras, golpes de Estado e operações de mudanças de regimes. Os golpes e as alterações nos regimes podem assumir diversas formas. Em 2002, Hugo Chávez, eleito pelo povo da Venezuela, foi deposto por um golpe tradicional, prontamente endossado e legitimado por Washington. Mas vejamos como, um ano após a chamada “Revolução Rosa”, na Geórgia, foi imposta uma mudança de regime, tornando o governo vassalo do poder norte-americano. Eu mesmo avalio a reconstrução feita por uma revista francesa autoritária de geopolítica (Hérodote):

“A corrupção do regime se apresenta em todos os aspectos. Se necessário, não hesitando em mentir. Em meados de novembro, algumas revistas alemãs afirmaram que Eduard Shevardnadze (líder no poder na Geórgia até então) comprou uma propriedade luxuosa na cidade de Baden Baden, no sul da Alemanha. De acordo com o ‘Bild’ (jornal alemão de ampla circulação) o valor da residência ultrapassa os 11 milhões de euros. A informação não é confirmada. Quem se importa? A notícia é muito boa e o Roustavi 2:24 Saati (televisão romena) exibiu uma imagem de uma casa imensa que pode ser localizada realmente na Alemanha, ou em qualquer outro lugar no mundo. Mais tarde, viemos a saber de uma das fontes de informação que a foto exibida havia sido escolhida de modo aleatório da internet.”

Mesmo uma causa nobre (o combate à corrupção), pode servir como pretexto para um golpe de Estado. O manual quase oficial que o Departamento de Estado utiliza para promover mudanças de regimes (G. G. Sharp, From Dictatorship to Democracy. A Conceptual Framework for Liberation, 1993, The Alber Einstein Institution, Boston) recomenda explicitamente a promoção de mobilizações de objetivos aparentemente não políticos, mas com forte presença do sentimento da população.

É possível dizer que estamos assistindo a um avanço conservador no mundo? O neoliberalismo está crescendo? Como as organizações progressistas deveriam atuar?

A situação é mais complexa. Para entender o mundo de hoje, nós precisamos levar em conta que existem dois processos contraditórios. No Ocidente, a burguesia, encorajada pelo fim da União Soviética e pela crise do movimento comunista na Europa, desmantelou o Estado de bem-estar e conduziu um crescente número de trabalhadores para o desemprego, precariedade do trabalho, para a austeridade, baixos salários e miséria. Ou seja, na Europa e no Ocidente a desigualdade entre a minoria privilegiada e a vasta maioria da população está constantemente crescendo. Agora vamos olhar para fora da Europa e do Ocidente: num país como a China, centenas e centenas de milhões de pessoas estão livres da fome e da miséria, e começam a ter acesso ao Estado de bem-estar.

Especialmente em tempos recentes, a China tem experimentado um rápido crescimento também em termos de tecnologia e está quebrando o monopólio hi-tech que até recentemente pertencia ao Ocidente. Em outras palavras, no capitalismo ocidental a desigualdade e a polarização social estão crescendo. No nível global, a vantagem econômica, tecnológica e militar que por séculos permitiu ao Ocidente dominar, escravizar e dizimar o resto do mundo está falhando. Em especial o superpoder do capitalismo e do imperialismo norte-americano não pode aceitar esse segundo processo. Por isso, as muitas guerras coloniais e neocoloniais e a preparação para uma guerra em larga escala contra a China e Rússia, que sob Yeltsin se tornou ou esteve perto de se tornar uma semicolônia do Ocidente.

No seu livro Guerra e Revolução (Boitempo Editorial) o senhor analisa o conceito de revisionismo, argumentando que ele nos leva de volta ao colonialismo. Poderia explicar como o revisionismo opera e nos dar alguns exemplos?

Imediatamente após a vitória alcançada na Guerra Fria, o Ocidente tem celebrado o colonialismo explicitamente. Pense no filósofo mais ou menos oficial do Ocidente e da “sociedade aberta”. Eu me refiro ao K. R. Popper, em 1992, com a referência para as ex-colônias, que proclamou: “Nós libertamos esses Estados rapidamente e de forma simples; é como dar-se um jardim de infância”. Para aqueles que ainda não entenderam, um ano depois o The New York Times Magazine, o suplemento de domingo do principal jornal dos EUA, não poderia conter seu entusiasmo no título de um artigo escrito por um historiador britânico de sucesso (P. Johnson): “Colonialismo está de volta e não é um período breve”.

Um dos historiadores de maior sucesso hoje, N. Ferguson, defende o estabelecimento de um escritório colonial norte-americano, como o estabelecido pelo Império Britânico. Junto com o colonialismo, os ideólogos do Ocidente também celebram o imperialismo. Em 1999, enquanto a Otan bombardeou, destruiu e desmembrou a Iugoslávia, um expoente bem conhecido do neoconservadorismo norte-americano (R. D. Kaplan) escreveu: “Somente o imperialismo ocidental, embora pouco se atrevam a chamá-lo pelo nome, pode agora unir a Europa e salvar os Balcãs do caos”.

Alguns anos depois, em março-abril de 2002: Foreign Affairs, uma revista parceira do Departamento de Estado norte-americano, com seu título e com o artigo de abertura (encomendado a S. Mallaby), convidou todos a reconhecer os fatos: “a lógica do imperialismo” ou “neo-imperialismo” era “demasiado rigorosa”; ninguém poderia contê-lo.

Ainda hoje, o historiador de maior sucesso dos dois lados do Atlântico, N. Ferguson, olhando para Washington, elogia o “poder magnânimo mais poderoso que jamais existiu”.

Compreende-se então a antifúria. Já na época da conquista do poder, Lênin chamou os “escravos da colônia” para quebrarem suas correntes. E, na verdade, promovida e inspirada pela Revolução de Outubro, uma grande revolução anticolonial se desenvolveu no século 20 em todo o mundo, causando uma crise na Doutrina Monroe da América Latina. Na ideologia dominante, por outro lado, a reabilitação do colonialismo e do imperialismo vai de mãos dadas com a demonização da Revolução de Outubro. Esta é a essência do revisionismo histórico.

Colaboraram: Gabriel Valery, Helder Lima e Sarah Fernandes

A teoria das elites

 

Todo poder, organização ou governo produz sua casta de privilegiados.

 

Todo privilegio nasce da exploração do trabalho ou do acesso ao dinheiro público.

 

O dinheiro público ao contrário de ser um dinheiro de todo mundo, é um dinheiro de ninguém.

 

Por isso é usado ilegalmente à vontade, pela casta dos privilegiados que estão no poder.

 

Mesmo a mais profunda revolução entrará para a história como uma troca de castas.

 

Sendo julgada apenas por serem melhores ou piores que seus antecessores.

 

 

 

Mas a troca de castas deve ser vista como uma verdadeira revolução.

 

Uma revolução que liberta os fantasmas guardados no armário da História até aqui.

 

 

 

Nós, arrancamos a fórceps a nova casta de privilegiados criadas por um governo de esquerda.

 

Mesmo em detrimento de todos os seus esforços no sentido de equalizar oportunidades e riquezas.

 

Mas em seu lugar, botamos de volta a antiga casta de privilegiados que há anos estava no poder.

 

 

 

Se o Brasil não colocar algo novo e melhor no lugar dessa casta que foi retirada,

 

Esta arriscado a não ter autoridade moral para exigir civilidade entre os cidadãos.

 

 

 

E deve se exigir da nova casta de privilegiados uma nova cultura.

 

Que não explora o trabalho. Que não vive às custas de dinheiro público.

 

E com o propósito claro de aumentar a nossa autoestima.

 

 

 

Quem são os que hoje estão querendo sentar nas cadeiras que decidem os rumos do país?

 

Podemos deixá-las a mercê da mesma casta de privilegiados que derrubaram ou que já foi derrubada?

 

 

 

A sociedade civil deve tomar as rédeas do país.

 

Seus tratores devem ser seus artistas e intelectuais.

 

Suas obras devem ser um trabalho para o bem cultural.

 

Um novo bom senso deve reverberar, criando um novo senso comum.

 

Antigas questões devem ser dirimidas, e novas questões devem ser colocadas.

 

Principalmente sob a luz da sobrevivência da Terra e da nossa humanidade, da independência e do direito dos países, e dos avanços silenciosos da física quântica.

 

História do Brasil recente:

Imaginem dois atletas: atleta A e atleta B.

 

O atleta A treina nos melhores centros esportivos da América do Norte.

O atleta B treina em alguma cidade pobre da América do Sul.

 

O atleta A usa doping e sempre vence todas as corridas.

O atleta B vendo que nunca vai vencer, passa a usar o doping do atleta A.

 

O atleta B então passa a vencer também.

Na verdade, passa a deixar o atleta A literalmente “comendo poeira”.

 

O atleta A para voltar a ganhar resolve denunciar o uso de doping do atleta B e melar a corrida.

O atleta A que sempre correu dopado, passa a convencer todo mundo que só quem usa doping é o atleta B.

 

Eis que as vitorias do atleta B são todas anuladas.

 O atleta A passa a vencer outra vez.

 

Primeiro no tapetão.

Enquanto nos laboratórios os cientistas e gênios do mal passam a trabalhar em uma nova formula de doping.

Mais eficiente, mais imperceptível e também mais cruel para o próprio corpo de qualquer atleta.

 

Nós estamos vivendo o exato momento de sua dolorosa injeção.

 

Agora troque:

Atleta A por classe A

Atleta B por PT

Corrida por eleições

E doping por corrupção e caixa 2 para campanha política.