Quero ser político, mas os partidos não deixam.

Pergunto eu: tem os partidos políticos o direito de decidir quem serão as únicas pessoas capazes de participar da administração do bem público?

Você já tentou se filiar para se candidatar em algum partido político? Sei que a maioria vai dizer que não, mas os que já tentaram vão concordar comigo o quanto é difícil. Você se torna uma ameaça de divisão de votos dentro do próprio partido. Eu já trabalhei em uma campanha que o partido para interromper a ascensão do candidato para qual eu trabalhava, mandou fazer alguns milhares de filipetas para distribuir na boca de urna. Todas com o número de votação errado.

Hoje, pela terceira vez na vida, eu finalmente ouvi de novo uma outra pessoa sustentar a tese do candidato independente. A tese que prega o fim do monopólio da política pelos partidos políticos.

Essa tese tem por princípio a definição do conceito do que é a própria democracia, e que está muito longe de ser a obrigação que todos temos de escolher alguns políticos para nos representar nas decisões do governo.

Antes, Democracia é o direito que todo cidadão tem de participar da administração do bem público. E não é demais afirmar que o atual sistema eleitoral passa longe desse conceito, tendo como resultado essa distância abissal entre a classe a privilegiada classe política e o resto da sociedade brasileira.

Pois bem, li agora que um grupo de jovens também estão levantando essa bandeira, que antes só tinha sido ventilada da boca do Joaquim Barbosa, e antes dele, pelo ex-presidente Itamar Franco.

Aos que levantam essa bandeira, eu vos suplico: não abaixem ela nunca. Sejam incansáveis na construção dos fundamentos que devem existir nessa nova ideia de democracia, voltada agora aos que querem, e não só aos que podem.

No meu primeiro documentário feito em 2000 chamado PRPP (PUC – RIO DAS PEDRAS – PARAÍBA) eu coloco uma frase de Alexis de Tocqueville:

“Não voltemos nossos olhares para a América a fim de copiar servilmente as instituições que lá se deram, mas para melhor compreender as que nos convêm; Menos para lá buscar exemplos do que ensinamentos; antes para tomar-lhes emprestado os princípios, do que os detalhes de suas próprias leis…”

E sigo com o narrador:

 “Por que nós brasileiros não voltamos os nossos olhares para a américa a fim de copiar o princípio da lei, por exemplo, que permite um cidadão candidatar-se em uma eleição sem ser filiado a nenhum partido? Nós brasileiros copiamos dos Estados Unidos somente o sistema de governo neoliberal, com a sua economia e seu amor pelo consumo, mas esse sistema que nós brasileiros copiamos com tanta vontade, vê as favelas e os pobres como um tumor que deve ser extirpado, e sem nenhuma chance de readaptação no mundo capitalista evoluído.

 Não é à toa que mais da metade do continente Africano já está infectado com o vírus da AIDS.

Aos miseráveis, a única ajuda que resta é a solidariedade do sistema paternalista, o assistencialismo, que por sua vez se torna uma imensa fonte de poder político pessoal, ao mesmo tempo em que é a única esperança dos pobres não morrerem de fome abandonados pelo poder do Estado que segue a política neoliberal. ”

 Praticamente essa é a encruzilhada que ainda se apresenta. Devo confessar que a força libertária dada pela imaturidade do texto ainda me encanta. Afinal, estamos falando do meu primeiro documentário. Já fiz mais dois depois dele. E mais dois longas de ficção.

Aliás, cabe dizer que fazer cinema no brasil também não é fácil. Mas chegará o dia em que nós também entenderemos que ter facilidade na liberação de dinheiro público para fazer um filme, não deve ser paga. E que as obras não devem ser escolhidas pelos lobbys nesse sentido, mas por mérito. Assim como esse dia hoje chegou para a política.

Para finalizar, só quero deixar registrado uma direção a seguir: o critério para um candidato poder se candidatar de forma independente em uma eleição americana é o financeiro. Tem que ser rico.

Qualquer critério que não seja a liberdade ancorada em uma autoridade moral emanada pela nossa própria história, é pura perda de tempo. Não caiamos nessa esparrela, não cedamos a nenhuma pressão. Sigamos com o risco de pensar livremente, que um dia a gente acerta…

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